Desculpe-me, foi engano

Procurou as chaves da porta de entrada em todos os bolsos. Tivera a impressão de quase tê-las em suas mãos, mas foi tudo falsa impressão. Puxou chaves dos bolsos, da mochila que carregava, e nada se mostrava familiar. Pensou inconformado como ele havia caído em tal situação. Não esquecia facilmente as coisas. Sua memória, apesar dos contratempos da jornada, havia sinalizado que com ele estava a chave do apartamento. No entanto, a imaginação se passando por memória havia lhe dado uma rasteira mais uma vez. Talvez essa confusão fosse comum nos que viajam por muito tempo, já por longa distância, assistindo a paisagens monótonas. Sentindo-se um estranho diante de uma porta fechada, questionou-se ainda se não batera em local errado, olhando – decepcionado – o número correto do apartamento. Desceu as escadas meio incerto, vacilante, em direção à saída do condomínio. Lá fora, viu as ruas com carros indo e vindo, pessoas na parada de ônibus; até um avião passou por sua cabeça naquele momento.

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