Angústia
Ainda de madrugada, às quatro horas da manhã, acordou. Havia tido um sonho. Lá estava ele sedento junto a uma fonte d'água, ao seu lado estava seu escritor predileto. Não conseguia beber da fonte. Parecia desajeitado. O escritor o observava. Sentou-se em sua cadeira e ligou a luz da escrivaninha. Continuava sedento. Não conseguia pensar noutra coisa que não fosse tomar uns tragos. A idéia de passar o dia inteiro de cara limpa o amedrontava. Se pelo menos ele pudesse dormir profundo e acordar ao meio dia, restaria apenas a outra metade para suportar. Ele estava de olhos arregalados, alerta, sendo bombardeado pelo passado e pelo futuro, e, para ele, beber alguma coisa lhe traria a paz. Deitou-se novamente na cama. Era um homem forte, fisicamente saudável, mas que se contorcia de um lado para o outro como se procurasse um local livre de dor. Ainda assim caiu no sono que o tirou daquele pesadelo.

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