quarta-feira, janeiro 25, 2006

Esperança

Perguntou se ainda estava viva. Há um mês a mulher deitada na cama era uma incógnita. Não sabiam aqueles caipiras. O pai decidiu esperar o médico do município que mensalmente os visitava. Hoje é o dia do doutor - falou o pai para os filhos. Mas a mãe está viva? - perguntou o mais novo. O doutor dirá. O mais velho nada perguntou ou comentou, abaixou a vista em silêncio. No meio da manhã, chegou o médico na Rural da prefeitura. Entrou no sobrado, deu bom dia e comentou o mau cheiro. O homem abriu a porta do quarto e mostrou a mulher deitada na cama como há um mês atrás. O médio aproximou-se da mulher com um lenço cobrindo o nariz e a boca, afastando devagar o lençol que a cobria. Esta mulher está morta, senhor. O homem chamou o mais velho; lhe disse para que fosse pegar madeira - temos que preparar o caixão de sua mãe, precisamos enterrá-la. Depois gritou pelo mais novo, que apareceu apreensivo. Sua mãe está morta. O menino saiu engolindo o choro, inconformado.