terça-feira, outubro 06, 2015

O que mais existe senão o instantâneo!
Todo o resto é medo.

segunda-feira, abril 13, 2015

Retorno

O texto chegou todo modificado, com várias partes reescritas, cortes ao longo de todo o trabalho. “Chega!”, ele pensou. Não dava mais pra ele. Não se sentia produtivo. Não se identificava em nada com aquele resultado.

Estava sentado em sua mesa. Levantou-se e foi pegar um copo d`água na cozinha. Tinha olheiras. A imagem era de uma homem cansado. Dormia mal. Talvez aquele trabalho estivesse lhe dando a aparência de um cavaleiro cruzado retornando para casa sem a fé que havia lhe movido por uma causa.

Também havia uma princesa nessa história -- sua filha. No porta-retratos, em trajes de Cinderela, precisava dele. Nada de morrer portanto. O resgate passava por aquele retorno. E alguma coisa lhe dizia que contar e montar e viver histórias era a essência dessa nova cruzada.

segunda-feira, setembro 15, 2014

…morte e vida.

Ele sabia que ia morrer. Eu também. Fiquei ali escutando suas palavras sobre Deus e todas as suas respostas. Isso o confortava. Me confortava saber que Deus o confortava. Balançando a cabeça ia concordando com o que ele me dizia. Sabia que Deus não existia, mas jamais revelaria tal sensatez. Não estamos preparados para morte… tampouco para vida. Ao longo da vida no entanto temos um lapso de consciência que nos faz assistir a própria condição. Na morte, nessa reorganização da matéria, nada nos dá pista disso.

quarta-feira, agosto 19, 2009

Sarcófago

Quiseram me vender um sarcófago. Seria um sinal? Jogar tudo isso nalgo que fosse corroendo o que não tem mais vida. Deixo pra lá. Não gasto mais um vintém no que não consiga me deixar menos morto. No final, inevitável: tudo fica mais chato. Volto aos entorpecentes. Volto a escrever.

sexta-feira, julho 27, 2007

Do que os fantasmas são feitos?

No meio do tempo, no meio do espaço, me atravessa uma inspiração. Algo despoluído. Uma impressão que parece livre; mas nada é livre, eu sei, eu sei... Os pensamentos são dominós e não sei quem começou tudo. Os personagens nascem e morrem num segundo. Como capturá-los? Fantasmas. Deixei de acreditar. O escuro do apartamento vazio não me amedronta. Durmo com os pés para fora da cama; nada irá agarrá-los. Nada.

terça-feira, julho 10, 2007

Um velho cão não sabe ser outra coisa. Só sabe ser cão. Dos velhos, por vezes rabugento, outra hora fazendo pose daqueles de guarda. Seu blefador! O que ser mais além disso? Os outros bichos são também bichos; velhos blefadores rabugentos. E que tal ser filhote e dar origem a uma nova espécie de bicho, ainda não catalogado pela ciência quadrada?

quarta-feira, junho 20, 2007

Cartas

Será que mando cartas para Chile? Hermanos. Ou me deixo ir pelo impulso do colonizador? Talvez um cão. Penso num bulldog, mas são tão carentes. Será âncora ou fortaleza? Talvez um gato. Um não, dois. A solidão ninguém a merece. Uma gatinha persa então. Mas esses envelopes ainda têm que chegar a alguma geografia. Cruzar o atlântico ou ter com mi hermanos? Yo solo tengo preguntas. bosta!