Entre aspas
"álibi.
...do que mais me orgulho é daquilo que não disse e não escrevi. Me encho de satisfação por tudo que não declarei. Meu silêncio nunca me envergonhou ou me comprometeu. Não dizer é não colocar fronteiras. Podem vir!
Como é leve não lembrar de um equívoco. E contabilizar tantos e tantos e quantos momentos em que não me precipitei fincando mais uma daquelas bandeiras de mim, ora!
Mas eu sei. "Escrever é um erro", faço meu o lugar comum. Céus! Aqueles que insistem em ciclês merecem mesmo o cadafalso. Sem dó. Escrever uma vez é perdoável. Reescrever o mesmo, um chato. Mais uma vez, um crime. Mais outra, um pecado. De novo?!, pronto, eis a gênese dum clichê vagabundo.
Ia dizendo. Por tudo e tudo falar faz bem. Entre matar e escrever, este causa dano menor. Posso confessar então tudo isso agora escrito, e tê-lo como álibi irrefutável -- meritíssimo --, como pôde mesmo ler."
Otávio.
