quarta-feira, janeiro 25, 2006

Primavera

Ela pediu um café. Ele preferiu uma cerveja cujo nome não conseguiu pronunciar, apenas apontou para o cardápio; gesto que logo foi compreendido pelo garçom. O dia estava claro, cheio de cores. A primavera na Europa era sem igual. As mesas estavam todas ocupadas como sempre acontecia naquela época. Viam-se alguns casais como eles. Havia também grupos familiares. Alguns senhores lhe chamaram a atenção. Devem estar gozando a aposentadoria depois de se separarem de suas mulheres - pensou por um instante. Em sua maioria turistas; dava-se para deduzir. O casal de agora a pouco conversava frente a frente, sereno. Ele comentou o quão agradável estava sendo aquele momento. A moça, cúmplice, sorriu. Quando morremos não há céu nem inferno, escolhemos um momento feliz e o eternizamos - comentou, observando lentamente ao seu redor. Seria uma boa idéia - ela disse, levantando-se e pedindo licença para ir ao toalete. A meio caminho, um barulho a assustou. O vestido da senhora sentada atrás do homem da cerveja tingiu-se de vermelho do sangue espirrado. A primavera européia tornou-se ainda mais colorida.