Classe Média

Finalmente disseram um para o outro que a situação estava insuportável. Aquela história de que o cotidiano destruía as relações era tudo verdade – reconheceram. Não somos mais um casal! – ela falava; ele, em silêncio. Não há mais cumplicidade! – ela falava; ele, em silêncio. Você é indiferente! – ela falava; ele em silêncio. Vivemos uma vida burocrática! – ela falava; ele, em silêncio. João Alfredo, nós não transamos mais! – ela silenciou então. Ma-ria-Ri-ta, fa-le-bai-xo – ele falou.
Depois de algum tempo calados, concordaram que deveriam se separar. Acertaram assim a mudança. Ela acordaria às sete; ele, às oito. Ela almoçaria às onze; ele, às doze. Ela dormiria às vinte e duas; ele, às vinte e três.
Foi tudo verdade. Aconteceu no apartamento trezentos e três, bloco seis, do condomínio Parque dos Sonhos.

1 Comments:
Muito Boa essa crônica, espero está qualificando corretamente.
Você não sabe como me agrada a sua narrativa. Não perco um só dia do seu Blog.
Abraço
Esperança
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